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07. dez. 2018

O uso da Biópsia Líquida durante o tratamento oncológico

O tratamento oncológico tem evoluído muito nas últimas décadas, permitindo aumentar de forma notável as taxas de sobrevida dos pacientes oncológicos através do desenvolvimento de terapias dirigidas em função das características de cada tumor. O tratamento desse tipo de patologia é especialmente delicado e relevante em pacientes com câncer em estágio avançado, onde a taxa de sobrevida baixa melhora significativamente ao receber uma terapia específica direcionada para o seu caso.

O tumor sofre modificações genéticas ao longo do tempo, produzindo novas mutações frente a evolução da doença ou mesmo ao tratamento recebido, gerando em determinados casos resistência a essa terapia. O conhecimento dessas mutações permite o uso de drogas direcionadas a um determinado tumor em um momento específico, aumentando assim a taxa de sucesso do tratamento.

Normalmente no momento do diagnóstico utiliza-se uma amostra de tecido tumoral por meio da biópsia para estudar o estado mutacional do tumor, entretanto esta estratégia pode apresentar vários problemas: em alguns casos não é possível realizar uma biópsia do tumor, bem como as biópsias obtidas podem não ter material suficiente para realizar a análise. Os recentes avanços em análises de DNA livre de célula têm impulsionado o desenvolvimento da biópsia líquida, cujo objetivo é fornecer uma solução diagnóstica com alto valor agregado. A partir de uma única amostra de sangue, o oncologista terá informações precisas e importantes sobre as mutações presentes no tumor, durante os diferentes períodos de evolução: no diagnóstico, durante o monitoramento e na progressão.

Para solucionar os problemas da prática clínica, o DB Molecular oferece o exame GUARDANT 360, um amplo painel NGS, que inclui todas as mutações do National Comprehensive Cancer Network (NCCN) recomendadas para tumores sólidos. O exame GUARDANT 360 analisa 120 genes em uma amostra de sangue, detectando todos os 4 tipos de mutações somáticas: SNVs (Variantes de Nucleotídeo Único), inserções/deleções, amplificações e fusões (Figura 1).

Figura 1. Genes estudados na análise de DNA tumoral circulante no sangue. O exame Guardant 360 analisa a presença de mutações tumorais pontuais, além de identificar amplificações, fusões, inserções e deleções (indels).

Devido a simplicidade da amostra é possível usar esse tipo de exame tanto para implementar o tratamento mais apropriado, como para monitorar o paciente, com a finalidade de detectar o surgimento de novas mutações durante o tratamento oncológico e assim realizar uma mudança precoce (Figura 2). Além disso, a biópsia líquida permite obter a informação de todo tumor e de tumores de maneira global, identificando ainda a heterogeneidade intra-tumoral. Portanto, é possível por meio da análise em tempo real da genômica do câncer, proporcionar opções de tratamentos mais efetivos aos pacientes e adequados diante da situação biológica do tumor em cada momento.

Figura 2. Períodos de evolução do tumor. Alterações genéticas que ocorrem no desenvolvimento do tumor podem estar associadas com a progressão da doença e permitem o aparecimento de novas mutações que podem conduzir à resistência frente ao tratamento que o paciente está recebendo.

O exame apresenta alta sensibilidade e especificidade, assim como a tecnologia empregada permite detectar até 0,1% de DNA tumoral mutado (Tabela 1).

 

  Guardant 360 Tecido (NGS)
Sensibilidade Clínica 85,0% 80,7%
Especificidade Clínica 99,6% 99,7%
Precisão Diagnóstica 99,3% 99,3%

 

Tabela 1.  Sequenciamento digital alcança melhores critérios analíticos, melhorando a plataforma do NGS.

Para o processo de monitoramento, oferecemos um estudo direcionado e personalizado, também baseado em uma amostra de sangue, que inclui:

  • Análise apenas das mutações detectadas no momento do diagnóstico: isso implica em claro benefício para o paciente, uma vez que requer somente uma simples amostra de sangue, menor necessidade de testes de imagem e, portanto, redução considerável de custos.
  • Estudo de alterações relacionadas à resistência ao tratamento: uma vez que as mudanças na resistência podem ser detectadas antes da progressão clínica. Esta opção permite uma análise complementar durante o tratamento.

Foi demonstrado que a detecção de qualquer uma dessas alterações prediz a progressão da doença, fornecendo assim ao oncologista a oportunidade de modificar o tratamento precocemente. Este fato, aliado à capacidade das técnicas para quantificar a carga tumoral do paciente, pode permitir uma abordagem precoce para possíveis recaídas.

O teste ONCOinBLOOD é um ensaio quantitativo para a análise de alterações no sangue (biópsia líquida) que apresenta relevância diagnóstica, preditiva e prognóstica, permitindo a detecção e monitoramento de alterações dirigidas e relacionadas com mecanismos de resistência à fármacos. A tecnologia deste exame consiste em um ensaio Taqman (PCR 5′ Nuclease Assay) combinado com sondas PNA, que são capazes de identificar e quantificar o alelo mutado com alta sensibilidade (1/20.000). Para a detecção de variantes de splicing e translocações, a análise é realizada por RT-PCR a partir de RNA obtido de plaquetas. Há um conjunto de testes ONCOinBLOOD que podem ser solicitados separadamente de acordo com análise que se deseja realizar (Tabela 2).

 

Genes

analisados

Alteração Avaliada Aplicabilidade/Indicação
BRAF Mutações V600E E V600K Diagnóstico e monitoramento de pacientes com câncer colorretal (CCR), melanoma metastático, tumores de tireoide, câncer de pulmão de células não pequenas e outros. Auxilia na escolha da terapia mais adequada e eficaz.
KRAS Mutações nos códons 12, 13 e 61 Mutações do gene KRAS são vistas em 35% a 40% dos CCR. A análise dessas mutações é mandatória antes do início de tratamento com inibidores do EGFR nos pacientes com CCR.
EGFR Mutações nos éxons 19, 21 e mutação T790M éxon 20. Diagnóstico e monitoramento para pacientes com câncer de pulmão. A análise do gene EGFR (deleção do éxon 19 e a mutação p.L858R localizada no éxon 21) é obrigatória para selecionar pacientes com câncer de pulmão avançado para o tratamento em primeira linha com inibidores de EGFR. A mutação T790M do mesmo gene é uma mutação de resistência presente em mais de 60% dos pacientes com câncer de pulmão que melhoram o tratamento com inibidores de TKI.
EGFR Mutação C797S Análise da mutação adicional C797S em pacientes com câncer de pulmão, a qual impede a supressão do tumor, podendo desenvolver resistência aos inibidores de tirosina quinase, o que dificulta o tratamento do paciente oncológico. O diagnóstico dessa mutação pode direcionar para uma melhor terapia.
MET Variantes de splicing 7/8 e 14 Diagnóstico de mutações somáticas que afetam o sítio de splicing em amostras de câncer primário de pulmão para escolha da melhor terapia.
EML4-ALK Translocação EML4-ALK Diagnóstico e monitoramento de pacientes com câncer de pulmão de célula não pequena. A detecção da translocação EML4-ALK é importante para direcionar o paciente para o tratamento mais adequado para inibir uma enzima produzida pela fusão destes genes que favorecem a multiplicação das células tumorais do pulmão.
PIK3CA Mutações nos éxons 10 e 21 Diagnóstico e monitoramento de mutações somáticas ativadoras do gene PIK3CA que são encontradas em vários tipos de câncer, entre eles mama, pulmão, ovário e CCR. Cerca de 80% dessas mutações localizam-se nos éxon 10 e 21, em 3 códons principais: E542K, E545K e H1047R. Este teste possibilita verificar se o medicamento está influenciando o desenvolvimento e sobrevivência das células cancerígenas.

Tabela 2. Análises genéticas

Os testes de biópsia líquida apresentam muitas vantagens, tanto o GUARDANT 360 quanto os ONCOinBLOOD, principalmente pelo fato de fornecerem uma análise minimamente invasiva para o paciente oncológico, com alta sensibilidade, especificidade e precisão diagnóstica.

 

Referência Bibliográfica:

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